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Soltando os Cachorros

CIA FATO DE TEATRO - S.PAULO, BRASIL

[ textos HILDA HILST, MARISA RAJA GABAGLIA E CASSANDRA RIOS direcção ÂNGELA BARROS figurinos CÁSSIO BRASIL cenários VERA OLIVEIRA desenho de luz DOMINGOS QUINTILIANO sonoplastia DANIEL MAIA interpretação LAVÍNIA PANNUNZIO, LETÍCIA TEIXEIRA E RACHEL RIÁNI ]

Este espectáculo pretende, de maneira lírica e divertida, resgatar, sob formato de recital clássico, a alma e a verve destas três grandes escritoras brasileiras do século XX. Mulheres que atravessaram os anos de chumbo e de flores psicodélicas ingerindo pedra e regurgitando poesia. Poemas, crónicas, aforismos, diálogos e pensamentos formam a lava deste espectáculo que contará em cena com duas actrizes e uma violoncelista.

A ideia é entrelaçar as três autoras em textos que vão do desbocado ao sublime e que tratam de amor, sexo, política, separação, pátria, nascimento e morte. A presença da violoncelista serve para pontuar a cena, dialogar com as actrizes que, ora contracenam entre si, ora com o público, estreitando laços, estabelecendo cumplicidades.

Hilda Hilst, Cassandra Rios e Marisa Raja Gabaglia, a uni-las o facto de serem mulheres malditas e de terem morrido todas nos verdes anos deste século. Cassandra em 2002, Marisa em 2003, Hilda em 2004.

E porquê malditas? Porque deram asas à imaginação, soltaram os cachorros e quiseram cantar de galo num terreiro onde deviam contentar-se em ser apenas fêmeas. Não à toa, um dos livros que reúne crónicas de Marisa chama-se “Milho p’ra galinha, Mariquinha”.

Cassandra foi a vida inteira perseguida pela própria máscara. A auto-censura a que ela se infligia impedia a própria mãe de ler os seus livros.
Hilda foi conotada de pornográfica e vendida quando enveredou por tintas mais pornográficas em livros “O Caderno Rosa de Lóri Lambi” e “A Obscena Senhora D.” Logo ela que defendia a ideia de que o sexo sem amor não faz o menor sentido, é mera coreografia e repetição de gestos.
Marisa sentiu na pele o preconceito ao viver um romance com o cirurgião plástico Hosmany Ramos, preso e condenado seis meses depois por assassinato, roubo e tráfico de drogas. Da experiência, ela escreveria o livro “Meu Amor Bandido”.

Enfim, três mulheres altas, arianas e necessárias ao palmilhar o caminho árido da literatura.

dia 3 maio, domingo - 21.30h
classificação etária M/12 duração 60 minutos
Auditório da Quinta da Caverneira

 
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