VENHAM TODOS OS AMIGOS!
“Que a luz e o Sol nos dêem iguais jornadas, sem que as rosas do amor fiquem fanadas” (in Hamlet de Shakespeare).
De 1 a 5 de Julho de 2026, damos as boas vindas à Festa. Boas vindas ao Fazer A Festa! Boas vindas à Quinta da Caverneira. Boas vindas à Maia.
Assim como quem não deu conta, chegámos à 45ª edição do festival.
Quando foi a última vez que falámos do amor? E quantas vezes enaltecemos actos de guerra ao mesmo tempo que nos envergonha dizer amor sem tartamudear?
É possível que já não nos lembremos das rosas fanadas ao espaço comum onde ainda tivéssemos a possibilidade de desfrutar a alegria simples de nos olharmos de frente e mimosear o prazer de umas boas horas de camaradagem, libertos do fardo dos afazeres mesquinhos que nos atravessam a vida. É possível que tenhamos invertido os pólos ao mecanismo das utopias herdadas de mulheres, homens e crianças que nos ensinaram dos sonhos o comando da vida. É possível que os sonhos se atrasam, quando não se adiam, porque o tempo já nada pergunta ao tempo, já que tempo simplesmente deixou de haver. É mesmo possível que nada seja impossível e que só andamos um pouco distraídos, doloridos, amestrados em demasia para realizarmos a amplitude de todas as possibilidades esquecidas, guardadas no baú do medo ou das esperanças vãs. Só não deveria ser possível o conformismo, a desistência, ou pior ainda, o horror. Nós, no Fazer A Festa, não o aceitamos sem dele escarnecer, sem o espírito de contrariedade que nos define o carácter quando se trata de parti-lo aos bocados e soprá-lo para as lonjuras do demo.
Aqui, onde a festa se faz, o sonho é fermento, é bola colorida em mãos de tantas crianças. Aqui não se aprendeu da desistência palavras que a ordenam. Aqui, procura-se a mão pequenina que aprende cedo a sementeira, a graúda que lhe há-de fazer a rega, o espanto que verá nascer a flor que não poderá ser fanada por dá cá aquela palha, muito menos por falta de cuidados.
Ouve-se dizer, amiúde, que somos resistentes; mas, se resistimos, não será por defeito, senão por imperativos de feitio; e nos alegramos disso mesmo. Insistimos na fábrica dos sonhos, mesmo se aquilo que vemos é a matéria da realidade galgando o território da ficção; uma certa realidade, no entanto, que não nos parece merecedora de sentidos aplausos, encenada por mãos carentes de quaisquer rasgos de humana genialidade. Insistimos não somente pela carruagem de uma história já bem rodada, pelo sapatinho encantado que nos cabe certeiro no pé, pela lâmpada generosa que nos vai concedendo, ainda assim, alguns desejos, nem pelas graças que despertam as memórias de tantas pessoas quando ouvem a Festa do nosso nome, tampouco pelos méritos concedidos e gravados em ferro de medalha, mas pela aluvião de gente vimos trazendo estrada afora a qual se vêm juntando muito mais. Mas, sobretudo, porque é sempre certo o momento; mais ainda o agora, que assim no-lo exige.
Anda brincar e reflectir mais nós, com os espectáculos dos amigos galegos da Companhia Ártika, da amiga luso-francesa Anne-Marie, dos amigos do Teatro das Beiras, dos amigos da Krisálida, da amiga Ana Madureira, dos amigos do Projecto Ruínas, dos amigos do Teatromosca, dos amigos do Cabeças No Ar Pés Na Terra, com a bela exposição do amigo Carlos Adolfo, a quem prestamos homenagem na presente edição, escrever teatro na Oficina De Dramaturgia com a amiga Andreia Macedo, ouvir histórias com o amigo Vítor Fernandes, participar do lançamento do livro A Princesa Dos Pés Pretos – Obra Completa De Teatro Para A Infância, do amigo José Vaz, na leitura do texto premiado do IV Concurso De Dramaturgia Para A Infância e Juventude, no debate A Música No Teatro Para A Infância E Juventude, e na sessão crítica da programação do festival, com o amigo Fernando Moreira e a amiga Anabela Nóbrega. Venham cantar os parabéns à Festa que completa 44 primaveras em 45 edições e bailar até poder depois com o enorme músico e amigo brasileiro Galdino Gal, para um encerramento à medida do nosso contentamento.
Para se Fazer A Festa, toda a gente é necessária. Venham todas as amizades e tragam outros amigos também.
Um bom Festival!























